Arquivado em: Outras Notícias
Arquivado em: Outras Notícias
Governador de São Paulo, do PSDB, utiliza dinheiro público em 2009 de olho no pleito eleitoral do ano seguinte
29/12/2008
Eduardo Sales de Lima
da Redação
Ano que vem a publicidade dobra, o transporte terá mais dinheiro, e a educação, menos. À primeira vista, é isso que salta aos olhos de quem lê o Projeto da Lei Orçamentária do Estado de São Paulo para 2009, proposto pelo governo José Serra à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Atendo-se à publicidade, o governo tucano terá a sua disposição R$ 313 milhões para o setor de comunicação social no ano que antecede a eleição para presidente. Quase o dobro do valor de R$ 166 milhões gastos neste ano nessa área.
O líder do governo tucano na Assembléia Barros Munhoz justificou publicamente que o dinheiro não será empenhado para gastos pessoais do governador, mas sim para campanhas publicitárias que têm a intenção de divulgar ações governamentais que necessitam da participação direta do contribuinte, como a Nota Fiscal Paulista.
Mas o deputado Raul Marcelo (Psol/SP) discorda. “Configura-se de forma clara que isso (o excesso de verbas para a publicidade) tem um componente eleitoral para 2010”, afirma.
Ele pondera, ainda, que eticamente, além do objetivo eleitoral, o dinheiro está sendo investido no lugar errado. “Só a cidade de São Paulo tem 1,3 milhão de desempregados; além disso, o Estado possui 1 milhão de terras devolutas, e esses recursos poderiam ser utilizados para fins de reforma agrária” analisa o deputado.
Já o economista Eduardo Marques, compara os números. São R$ 313 milhões empenhados somente para o setor da publicidade em 2009. Com esse dinheiro, seria possível a construção de 156 escolas públicas, ou 6 hospitais de grande porte, ou ainda 10 mil moradias populares. Marques fez parte da assessoria técnica da bancada estadual do PT na Alesp que apresentou, no dia 9 de dezembro, uma análise crítica sobre o total da peça orçamentária para 2009.
Marques, que também integra o Fórum Paulista de Orçamento Participativo, critica – além do excesso de gastos para o setor da publicidade – a ausência da população na elaboração das diretrizes orçamentárias para o Estado. Uma ausência, segundo ele, induzida pelo próprio governo. “Esse governo não fez nada próximo à participação popular, não tem essa característica; e promove audiências públicas com, no máximo, 20, 30 pessoas; e sempre com difícil acesso”, lembra ao Brasil de Fato.
Obras à vista
Ano a ano o Estado de São Paulo quebra recordes de arrecadação, e isso reflete diretamente no orçamento. Para 2007, foram R$ 85 bilhões; no ano seguinte, R$ 98 bilhões; e para 2009, R$ 115 bilhões. Os investimentos passaram de R$ 7,3 bilhões em 2007 para R$ 18,5 bilhões em 2009. O que significa que, com a aproximação das eleições presidenciais de 2010, obras em diversas setores serão tocadas, sobretudo no setor dos transportes.
Conforme a análise do orçamento feita pelos petistas, o governo de José Serra não incluiu nenhuma previsão de aumento para o funcionalismo público, e a educação perderia espaço na distribuição dos recursos para o setor dos transportes. Dados internos do PT prevêem, por exemplo, menos 26% para a manutenção do ensino fundamental e menos 80% para o ensino médio.
Arquivado em: Outras Notícias
Se há uma totalidade que salta à vista no ano de 2008 foi a manifestação evidente e traumática de uma grave crise estrutural no sistema capitalista, no seu modelo de funcionamento sob a selvagem hegemonia do capital financeiro que está levando o mundo à bancarrota.
Crise que se expressou na arena financeira em primeiro lugar, desde a explosão da bolha imobiliária nos EUA em 2007, mas que, em 2008, de forma espetacular, abalou não apenas o mundo das finanças, como também a produção e o comércio mundial, pois não existe mais separação entre produção, finanças, comércio e consumo. Para isso, basta observar que o fim da circulação de crédito no sistema financeiro internacional atingiu diretamente a produção.
O ano de 2008 marca o início de uma nova era de incertezas para o mundo, pois não parece de forma alguma que estejamos em uma crise de curta duração, já que os seus efeitos ainda estão apenas começando tanto nos países centrais como no mundo dos países periféricos e mais pobres.
Mas também em 2008, ainda que sob a pressão da forte recessão, começamos a ver os sintomas do que podem ser as fortes respostas dos protestos populares e sociais. Assim sinalizam a greve geral de 24 horas e a onda de protestos da juventude na Grécia contra o assassinato de um jovem e também contra os efeitos da crise econômica no país, a ocupação de uma fábrica em Chicago contra a falência e o calote e os protestos sociais setoriais da China: “Não passa nenhum dia sem que haja protestos de funcionários de fábricas falidas que lutam pelos salários atrasados, que depredam a sede ou entram em confronto com a polícia – assim como as greves de taxistas, que já acontecem em mais de 20 cidades“ (artigo de Raul Juste Lores, de Pequim, Folha de S. Paulo, 21/12/2008).
Por isso, em que pese todas as dificuldades que sofremos em 2008, especialmente no Brasil, devido a uma relação de forças ainda desfavorável, não devemos ser defensivos diante da crise do capital, começando pelo terreno ideológico.
Pois em alto e bom som deve ser dito: o capitalismo fracassou. Sua lógica predadora e desumana, o mundo encantado do livre mercado, livre comércio, da competição, do consumismo e individualismo sem limites é que estão arrastando a humanidade para uma catástrofe.
O Brasil no mapa da crise
O Brasil já não está fora do mapa da crise. É certo que aqui pelas nossas terras tropicais prevaleceram em 2008 os efeitos do cenário anterior de crescimento econômico e o boom das exportações; prevaleceu na disputa política, como as eleições municipais, o continuísmo ancorado na alta popularidade do governo Lula.
Mas 2008 termina no Brasil com um cenário diferente em desenvolvimento, a ponto de nem mesmo o crescimento expressivo do PIB no 3º trimestre ter animado o capital e o próprio governo, que (fora as declarações de otimismo oficial) admitem que este crescimento expressa o cenário de pré-crise no Brasil.
E, mesmo no cenário de pré-crise, não devemos esquecer que as mazelas sociais de toda ordem e os espasmos de crise ainda no primeiro semestre não deixaram de aparecer: epidemia da dengue, volta da inflação, aumento da inadimplência e endividamento popular.
E agora, já com o cenário da crise econômica mundial se instalando no país, a ameaça e a realidade do desemprego.
Crise e oportunidade
O mais preocupante em 2008 foi que prevaleceu uma lógica de fragmentação na esquerda socialista.
Embora razoavelmente explicável em tempos de defensiva do movimento e dificuldade de mobilizar os trabalhadores, a manutenção deste cenário de divisão no âmbito dos setores mais combativos da classe trabalhadora e da juventude poderá cobrar um preço caríssimo em tempos onde há mudança na conjuntura.
O capital termina o ano pedindo muito em tempos de crise: reforma trabalhista, ataque aos salários, desemprego. O governo queima reservas e recursos da União e do FGTS para ajudar os que mandam no país. Ao mesmo tempo em que os movimentos sociais e as camadas mais pobres da população são vítimas de uma política bárbara de criminalização, que busca calar a resistência dos setores mais organizados e aterrorizar os barris de pólvora sociais que este sistema produziu.
Mas crise é também oportunidade, de acordo com a sabedoria oriental. Aquilo que não foi possível avançar em 2008 poderá estar em um patamar melhor em 2009.
Pois 2008 termina deixando uma mensagem de que o cenário político, econômico e social poderá mudar também no Brasil. Restará a nós lutar para aproveitar as brechas que forem se abrindo. Deveremos partir de um esforço consciente e unitário para se estabelecer uma plataforma unificada de resposta contra a crise, de um ponto de vista da classe trabalhadora.
Dessa forma, poderemos dar juntos – partidos, sindicatos, movimentos sociais, entidades estudantis – os passos práticos para uma ampla frente de mobilização contra a crise e em defesa dos direitos dos trabalhadores, frente esta capaz de colocar em pauta a defesa de um novo projeto de sociedade.
Pois a questão da ruptura com o capitalismo precisa estar no horizonte deste período histórico que começamos a adentrar a partir deste ano de 2008.
Fernando Silva é jornalista do Conselho Editorial da revista Debate Socialista
Fonte: http://www.sinsprev.org.br/
Arquivado em: Outras Notícias
Aos 60 anos de vida, documento da ONU permitiu o surgimento de movimentos políticos radicais, mas seu conteúdo segue sendo sistematicamente violado
26/12/2008
Danilo Dara
da Redação
Quando a guerra total voltava a se distanciar do front europeu, as grandes potências imperialistas vitoriosas, do lado ocidental, se anteciparam para construir uma nova normalidade capitalista que “superasse” aquela longa e prolongada crise global.
Antes de se consolidarem novos marcos sociais que buscassem, realmente, evitar a repetição do terror de Auschwitz, mais uma vez priorizaram-se os interesses econômicos.
Com o objetivo de discutir o funcionamento da economia no pós-guerra, 44 países enviaram cerca de 700 representantes para uma grande reunião, iniciada em 1º de julho de 1944, na localidade de Bretton Woods, nos Estados Unidos.
Na abertura da conferência, o secretário do Tesouro estadunidense, Henry Morgenthau, falou sobre a “criação de uma economia mundial dinâmica, na qual os povos de cada nação terão a possibilidade de realizar suas potencialidades em paz e de gozar mais dos frutos do progresso material, numa terra benzida por riquezas naturais infinitas”.
Ora, uma das primeiras medidas do seu governo no sentido de garantir essa paz total, já no ano seguinte, foram os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki.
Exceção Permanente
Assim, antes mesmo da fundação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, e da proclamação de sua Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) – que acaba de completar 60 anos – foram criadas, em Bretton Woods, as principais instituições do sistema monetário-financeiro internacional: o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Novo Sistema Cambial Global (lastreado diretamente em dólar, e, indiretamente, em ouro).
A ONU e sua Declaração Maior de princípios já nasciam em segundo plano, financiadas e subordinadas aos interesses econômicos das grandes potências. Na prática, surgiam esforçando-se para criar a institucionalização e a normatização cosmopolitas daqueles direitos, que seriam provincianamente violados pelas guerras quentes que se seguiriam dali em diante por todos os lados, sobretudo na periferia neocolonizada do mundo.
A primeira dessas guerras viria já no ano da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e anunciava, ao mesmo tempo, o fracasso total de sua proposição jurídica: o início do longo conflito militar árabe-israelense, ocasionado pela imposição do Estado de Israel ao povo palestino, que há séculos habitava aquele território (portanto, numa exemplar violação de seus direitos humanos mais elementares), e a conseqüente não-aceitação dessa imposição pela Liga dos Povos Árabes. Não à toa, nesse 10 de dezembro de 2008 em que se completaram os 60 anos da DUDH, a guerra ainda persiste como regra em toda região do Oriente Médio.
Politização dos DH
Entretanto, nenhuma ideologia sobreviveria sem momentos fundamentais de verdade. E, de fato, a proclamação da Declaração Universal não deixou de ser uma importante conquista política – reivindicada até hoje por muitos militantes sociais em todo o mundo –, fruto das fortes pressões de setores fundamentais da humanidade.
Uma politização que viveria períodos intensos nas décadas seguintes à chamada 2ª Guerra Mundial: a intensificação das lutas de libertação nacional na África, a própria Revolução Econômica e Cultural Chinesa, a inusitada Revolução Cubana etc.
Tamanha polarização talvez tenha culminado justamente em 1968 (no 20º aniversário da DUDH), com o acirramento da luta por direitos civis dos negros nos EUA, os levantes do Maio Europeu, a luta por liberdades políticas mais amplas nos países do eixo “socialista” (reprimida exemplarmente na Primavera de Praga), a campanha global contra a guerra do Vietnã, e a resistência (muitas vezes armada) às ditaduras militares no Cone Sul da América Latina.
A derrota da grande maioria desses processos de resistência não pode, no entanto, obscurecer uma importante lição a ser tirada de todos eles: nesse contexto de profunda polarização político-ideológica (e militar), as lutas por amplos e irrestritos direitos humanos, levadas adiante pelos mais diversos movimentos sociais laicos, ou até mesmo religiosos, cumpriram um papel fundamental na inspiração e politização radical da resistência ao poder estabelecido planetariamente.
Além disso, em grande parte dos países sul-americanos, organizações voltadas para a defesa dos direitos humanos (muitas delas ligadas inclusive à Teologia da Libertação, que nascia no bojo dessas ditaduras) tiveram um papel fundamental na luta pela redemocratização, num momento em que muitas organizações políticas revolucionárias haviam sido botadas na ilegalidade, e seus militantes, isolados.
01/12 a 09/01
Solicitação de aproveitamento e/ou equivalência de estudos.
Setor responsável por este procedimento: ComFil.
13/01
Confirmação automática da matrícula acadêmica.
Setores responsáveis por este procedimento: APT /SETAL/SAE
19/01 a 30/01
Regularização da matrícula acadêmica não automática.
Setor responsável por este procedimento: SAE
19/01 a 30/01
Alteração do plano de estudos.
Setor responsável por este procedimento: SAE
19/01 a 23/01
Segundo prazo para a mudança de turno, mediante a comprovação de estágio/trabalho.
Setor responsável por este procedimento: SAE
28/01
Resultado dos pedidos de aproveitamento/equivalência de estudos.
Setor responsável por este procedimento: SAE
Fonte: http://www.pucsp.br/comfil/
Arquivado em: Notícias da PUC/SP
Entre 5 e 31/1, o atendimento geral ao público interno e externo nos setores que atuam no período noturno terá horário diferenciado. O trabalho dos setores Secretaria de Administração Escolar (SAE), Setal, Tesouraria, Expediente Comunitário, Biblioteca Central e Expediente das Faculdades será interrompido às 21h, no campus Monte Alegre, e às 20h, nos campi Marquês de Paranaguá, Santana, Derdic, Sorocaba e Barueri.
Fonte: http://www.pucsp.br/
Arquivado em: Outras Notícias
O que está acontecendo em Gaza, ante nossos olhos, é a destruição de toda uma sociedade e nenhum clamor se ouve, além dos aviso da ONU, que são ignorados pela comunidade internacional
30/12/2008
Sara Roy
O sítio de Gaza, por Israel, começou em 5 de novembro, um dia depois de Israel ter atacado a Faixa, ataque feito sem possibilidade de dúvida para pôr fim à trégua estabelecida em junho entre Israel e o Hamás. Embora os dois lados tenham violado antes o acordo, nunca antes acontecera qualquer violação em tão grande escala. O Hamás respondeu com foguetes, e desde então a violência não recrudesceu.
Com o sítio, Israel visa a dois principais objetivos. Um, reforçar a idéia de que os palestinos são problema exclusivamente humanitário, como pedintes, mendigos sem qualquer identidade política e, portanto, sem reivindicações políticas. Segundo, impingir a questão de Gaza, ao Egito.
Por isso, os israelenses toleram as centenas de túneis que há entre Gaza e o Egito, pelos quais começou a formar-se um setor comercial informal, embora cada vez mais regulado. A muito grande maioria dos habitantes da Faixa de Gaza vive em condições de miséria, com 49,1%, estatísticas oficiais, de desempregados. De fato, os habitantes de Gaza já sabem que está desaparecendo rapidamente, para todos, qualquer possibilidade real de emprego.
Dia 5/11, o governo de Israel fechou todas as vias de entrada e saída de Gaza. Comida, remédios, combustível, peças de reposição para as redes de energia, água e esgoto, adubo, embalagens, telefones, papel, cola, calçados e até copos e xícaras não entram nos territórios ocupados em quantidade suficiente, ou absolutamente não há.
Conforme relatórios da Oxfam, apenas 137 caminhões com alimentos entraram em Gaza no mês de novembro de 2008. Em média, 4,6 caminhões/dia; em outubro de 2008, entraram em média 123; em dezembro de 2005, 564. As duas principais organizações que levam comida a Gaza são a UNRWA, Agência de Ajuda Humanitária da ONU para os Refugiados Palestinos e o Oriente Médio; e a WFP, “Programa Alimento para o Mundo”. A UNRWA alimenta aproximadamente 750 mil palestinos em Gaza (cerca de 15 caminhões/dia de alimentos). Entre 5/11 e 30/11, só chegaram 23 caminhões, cerca de 6% do mínimo indispensável; na semana de 30/11, chegaram 12 caminhões, 11% do mínimo indispensável.
Durante três dias, em novembro, a UNRWA esteve totalmente desabastecida e 20 mil pessoas não receberam a única comida com que contam para matar a fome. Nas palavras de John Ging, diretor da UNRWA em Gaza, praticamente todos os atendidos pela organização dependem completamente do que recebem, seu único alimento. Dia 18/12, a UNRWA suspendeu completamente a distribuição de alimento, dos programas regulares e dos programas de emergência, por causa do bloqueio israelense.
A WFP enfrenta problemas semelhantes; conseguiu enviar apenas 35 caminhões, dos 190 previstos para atender as necessidades da Faixa de Gaza até o início de fevereiro de 2009 (mais seis caminhões conseguiram chegar a Gaza, entre 30/11 e 6/12). E não é só: a WFP é obrigada a pagar pelo armazenamento dos alimentos que não podem ser enviados a Gaza. Só em novembro, pagou 215 mil dólares. Se Israel mantiver o sítio a Gaza, a WFP terá de pagar mais 150 mil dólares pelo armazenamento dos alimentos, no mês de dezembro, dinheiro que deveria ser usado para auxiliar os palestinos, mas está entrando nos cofres de empresas israelenses de armazenamento.
A maioria das padarias comerciais em Gaza (30, de 47) foi obrigada a fechar as portas por falta de gás de cozinha. As famílias estão usando qualquer tipo de combustível que encontrem, para cozinhar. Como a FAO/ONU já informou, o gás é indispensável para manter aquecidos os criadouros de aves. A falta de gás e de rações, já levou à morte milhares de galinhas e frangos. Em abril, conforme a FAO, já praticamente não haverá galinhas e frangos em Gaza e para 70% dos palestinos, carne e ovos de galinha são a única fonte de proteína.
Bancos, impedidos por Israel de operar nos territórios ocupados, fecharam as portas dia 4/12. Num deles há um aviso, em que se lê: “Por decisão da Autoridade das Finanças na Palestina, o banco permanecerá fechado hoje, 4/12/2008, 5ª-feira, por falta de numerário. O banco só reabrirá quando voltar a receber moeda.”
O Banco Mundial já antecipara que o sistema bancário em Gaza entraria em colapso se as restrições continuassem. Todo o fluxo de dinheiro para os programas foi suspenso, e a UNRWA suspendeu a assistência financeira a outros subprogramas, para os mais necessitados, dia 19/11. Também está paralisada a produção de livros didáticos e cadernos, porque não há papel, tinta de impressão e cola, em Gaza. Com isso, 200 mil estudantes serão afetados, ano que vem, no início das aulas.
Dia 11/12, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, enviou 25 milhões de dólares para o sistema bancário na Palestina, depois de um apelo do primeiro-ministro palestinense, Salaam Fayad; foi a primeira remessa, desde outubro. Não bastará nem para pagar o mês de salários atrasados dos 77 mil funcionários públicos de Gaza.
Dia 13/11, foi suspensa a operação da única estação de energia elétrica que opera em Gaza; as turbinas foram desligadas por absoluta falta de diesel industrial. As duas turbinas movidas a bateria ‘caíram’ e não voltaram a funcionar dez dias depois, quando chegou um único carregamento de combustível. Cerca de 100 peças de reposição, encomendadas para as turbinas, estão há oito meses no porto de Ashdod, em Israel, a espera de que as autoridades da alfândega israelense as liberem. Agora, Israel começou a leiloar as peças não liberadas, porque permanecem há mais de 45 dias no porto. Tudo feito conforme a legislação de Israel.
Durante a semana de 30/11, 394 mil litros de diesel industrial foram liberados para a estação de produção de energia: aproximadamente 18% do mínimo que Israel está legalmente obrigado a fornecer. Foi suficiente apenas para fazer funcionar uma turbina, por dois dias, antes de a estação ser novamente fechada. A Gaza Electricity Distribution Company informou que praticamente toda a Faixa de Gaza ficará sem eletricidade por períodos que variarão entre 4 e 12 horas/dia. Em vários momentos, haverá mais de 65 mil pessoas sem eletricidade.
Nem mais uma gota de óleo diesel (para geradores e para transporte) foi entregue essa semana (como já acontece desde o início de novembro); nem de gás de cozinha. Os hospitais em Gaza estão operando, ao que parece, com diesel e gás recebido do Egito, pelos túneis; ao que se diz, são produtos administrados e taxados pelo Hamás. Mesmo assim, dois hospitais em Gaza estão sem gás de cozinha desde 23/11.
Além dos problemas diretamente causados pelo sítio israelense, há os problemas criados pelas divisões políticas entre a Autoridade Palestina na Cisjordânia e a Autoridade do Hamás, em Gaza. Por exemplo, a CMWU, que fornece água para a região costeira de Gaza, que não é controlada pelo Hamás, é financiada pelo Banco Mundial via a Autoridade Palestina para a Água (PWA) em Ramállah; o financiamento destina-se a pagar o combustível para as bombas do sistema de esgotos de Gaza.
Desde junho, a PWA tem-se recusado a liberar o dinheiro, aparentemente porque entende que o funcionamento dos esgotos beneficiaria o Hamás. Não sei se o Banco Mundial tentou alguma intervenção nesse processo, mas, por hora, a UNRWA está fornecendo o combustível necessário, embora não tenha orçamento para essa finalidade. A CMWU também pediu autorização a Israel para importar 200 toneladas de cloro; até o final de novembro recebeu apenas 18 toneladas suficiente para o consumo de uma semana de água clorada. Em meados de dezembro, a cidade de Gaza e o norte da Faixa só tinha água por seis horas, a cada três dias.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, as divisões políticas entre Gaza e a Cisjordânia também têm tido sério impacto sobre o abastecimento de remédios em Gaza. O ministério da Saúde da Cisjordânia (MOH) é responsável por comprar e distribuir quase todos os produtos farmacêuticos e cirúrgico-hospitalares usados em Gaza. E todos os estoques estão perigosamente baixos. No mês de novembro, várias vezes o ministério devolveu carregamentos recebidos por via marítima, por não haver espaço para armazenamento; apesar disso, nada tem sido entregue em Gaza, em quantidades suficientes. Na semana de 30/11, chegou a Gaza um caminhão com remédios e suprimentos médios, enviado pelo MOH em Ramállah; foi o primeiro, desde o início de setembro.
Está acontecendo aí, ante nossos olhos, a destruição de toda uma sociedade e nenhum clamor se ouve, além dos avisos da ONU, que são ignorados pela comunidade internacional.
A União Européia anunciou recentemente que deseja estreitar relações com Israel, pouco depois de as autoridades israelenses terem declarado abertamente que preparam a invasão, em larga escala, da Faixa de Gaza e de terem apertado ainda mais o bloqueio econômico, com o apoio, já nada tácito, da Autoridade Palestina em Ramállah. Essa, vê-se, está colaborando com Israel, em várias medidas. Dia 19/12, o Hamás deu oficialmente por encerrada a trégua (que Israel declarou que estaria interessado em renovar), porque Israel não suspendeu (nem diminuiu) o bloqueio.
Por que, como, em que sentido, negar alimento e remédios à população de Gaza ajudaria a proteger os israelenses?
Por que, como, em que sentido, o sofrimento das crianças de Gaza – mais de 50% da população são crianças! – beneficiaria alguém?
A lei internacional e a decência humana exigem que essas crianças sejam protegidas. Se Gaza cair, a Cisjordânia cairá depois.
Sara Roy é professora do Harvard’s Center for Middle Eastern Studies. Autora de Failing Peace: Gaza and the Palestinian-Israeli Conflict.
Arquivado em: Outras Notícias
A imprensa burguesa lançou uma campanha de desinformação em larga escala, procurando criar a ideia de que as manifestações de massas, desencadeadas na sequência da morte de um jovem de 16 anos (não certamente por acaso filho de um conhecido sindicalista grego), não passava de algumas centenas de vândalos anarquistas…
Nesta entrevista de Babis Angurakis ficamos a compreender a razão desta campanha de intoxicação informativa e a realidade do movimento operário e anti-imperialista grego…
Patricia Rivas - 26.12.08
Os principias cartéis mediáticos insistem em criar a ideia que os protestos da Grécia são actos vândalos de um grupo de «radicais anarquistas», mas o dirigente comunista Babis Angarukis afirma que as dimensões do protesto são muito mais amplas, e as suas causas são mais estruturais: «o protesto contra a política social do governo durante a crise económica que o país enfrenta e que também se liga com os enormes problemas da educação pública, e a má situação dos direitos democráticos são a explicação para a explosão que ao longo de todos estes dias está a acontecer em Atenas. As reacções continuam, se bem que não tão intensas como há alguns dias, mas o mais importante é que os estudantes universitários e liceais continuam com as suas acções, apoiados pelo movimento operário e os sindicatos, afirma Angurakis nesta entrevista a IVYK.
Patrícia Rivas (PR): – Vendo a televisão e os principais meios de comunicação é quase impossível compreender o que se está a passar na Grécia, porque pintam a situação como se milhares de anarquistas tivessem de repente saído às ruas, e os radicais estivessem por todo o lado espalhando o caos. Quais são realmente as componentes desta crise social?
Babis Angarukis (BA): – É verdade. E essa impressão não somente internacional, o mesmo acontece na Grécia. Há uma claríssima intenção dos principais meios de comunicação e dos partidos políticos da burguesia de dar uma imagem de que todo o problema é os ataques com coktails molotov contra as lojas e nada mais. A ideia é dizer que todo este protesto é apenas contra aquele polícia que assassinou um jovem há pouco mais de uma semana. A realidade é completamente diferente. Esta forma de cobrir os acontecimentos corresponde à vontade de evitar o aprofundamento da consciência política e o desenvolvimento de um grande movimento anti-imperialista e anticapitalista, que o nosso país necessita. Uma vez que essas forças, os meios de comunicação e o governo, não conseguiram evitar o conflito social e o confronto, tentam criar a impressão que tudo isto só tem a ver com grupos anarquistas e com estes ataques a lojas e alguns bancos. A verdade é que estes actos vândalos em Atenas não estãde modo algum relacionados com o movimento: nem com os anarquistas, nem com os comunistas, nem com as forças anti-imperialistas e anti-estadunidenses, e temos várias todos os anos que fazemos em frente à Embaixada dos Estados Unidos em que participam milhares de pessoas, e em todas elas surgem estes grupos com coktails molotov com o objectivo de pôr as pessoas contra. É isso que está a acontecer em Atenas. O que é novo é que estão a receber uma enorme cobertura internacional, por radiversas razões. Como se sabe, em França por exemplo, o governo reaccionário de direita está a enfrentar uma imensa mobilização estufantil contra a privatização das escolas. O mesmo se passa na Alemanha, na Itália e em Espanha. E como na Grécia o movimento tem uma longa tradição de luta contra a privatização da educação, acreditamos que estes governos de direita da Europa têm medo de que estes movimentos da Grécia sejam secundados por movimentos similares nos seus países. Esta é a explicação, e repito, trata-se de uma tentativa de ocultara natureza deste movimento, que anti-imperialista, com reivindicações sociais e toda isto se faz para isolar o movimento juvenil do movimento operário, e é contra essa tentativa de isolamento que o nosso partido está a lutar. Naturalmente estamos contra qualquer acção de destruição, e condenamos o vandalismo. O que estamos a repetir é que o movimento deve permanecer ligado à classe trbalhadora.
Chama a atenção ver gente tão nova, de 15 e 16 anos, nas ruas a lutar contra todo o sistema educativo. A frase que mais pronunciam é que não vêem futuro.
Não é somente o facto de não verem futuro, porque esse é um problema geral em toda a Europa, oriental e ocidental. Acreditamos que a diferença na Grécia é que temos um movimento juvenil que organizou grandes batalhas num passado recente, com exigências muito avançadas em tudo o que tem a ver com a educação. O cresciento desse movimento e um grande perigo para o governo da Grécia e é-o também para esses países europeus, por isso tentam dar a impressão de que na realidade não é um movimento sociaç e político, mas outra coisa. Por um lado, você tem razão: os jovens têm medo do futuro, e em segundo lugar, sabem que a única solução para o seu problema é a luta política e a organização anti-imperialista.
PR: – Vimos como desde os anos 90as organizações do movimento operário na Europa, sindicatos e partidos políticos de esquerda, se debilitaram e acabaram colocando-se à defensiva, perdendo cada vez mais terreno. Como se situa o movimento operário grego nesta conjuntura e de que maneira se está a articular com os estudantes?
BA: – É verdade, mas essa não é a situação geral, ou digamos que há algumas excepções. Na Grécia, em Portugal, temos sindicatos de classe e partidos comunistas bastante fortes, e pensamos que isto ajuda muito o movimento juvenil. O facto é que nos principais países europeus havia um consenso entre a social-democracia e os governos da direita neoliberal em promover medidas muito antipopulares, contidas principalmente no «Tratado de Maastricht», e é essa razão por que sindicatos e partidos de esquerda perderam credibilidade e já não podem reagir a estes graves ataques que actualmente estão a suceder na Europa. No nosso país foi diferente. É verdade que a maioria do movimento sindical, que está controlado pelos sociais-democratas devido ao facto de termos tido um governo social-democrata durante os últimos 20 anos, trabalhou para criar aqui a mesma situação, com a colaboração de outros partidos da esquerda europeia para evitar a luta de classes e qualquer acção contra a política dominante, etc.. O nosso partido luta contra estas políticas desde há muitos anos, com agricultores, estudantes, classe operária…, tratámos de mobilizar as pessoas nas ruas e pensamos que agora estamos a obter alguns resultados positivos nessa direcção, e isso é exactament o que assusta a classe dirigente da Grécia e na Europa, cada vez mais em Portugal, na Grécia, em Espanha, mas também em Itália novos sectores da classe operária estão a lutar nas ruas, reencontrando-se com a luta de classes, e isso pode ser muito perigoso para a classe dominante, por causa da crise económica.
PR: – Em que medida esta crise económica está a afectar os países do Sul da Europa, tendo em conta que se integraram dez novos países e os fundos de coesão, que antes iam para o Sul da Europa e agora vão para o Este?
BA: – Oiça, parece-me que esse argumento não é correcto. A verdadeira razão para o que está a acontecer não é, de forma nenhuma, o facto do o dinheiro não estar a ir para o Sul e estar a seguir para Este. Porque estamos a ver as mesmas explosões sociais em Itália, e a Itália não era, em termos gerais, um país receptor de fundos de coesão. Além disso, para sua informação, é bom que saiba que por cada euro que a Grécia recebe da União Europeia, o povo grego devolve 3 euros. Porquê? Por que todos os projectos que se executam com fundos da União Europeia são para empresas alemãs ou francesas, de modo que somos nós a pagar essa chamada ajuda. Mas esse não é o problema. O problema é que estamos a defrontar uma crise enorme. E creio que o mesmo também se passa nos países do Norte, como a Holanda, a França e a Irlanda. Se se interrogar sobre por que é que os holandeses, franceses e holandeses disseram não ao tratado europeu, a razão é a mesma: uma situação social muito difícil nesses países e a explicação é que com a entrada em vigor do Tratado de Maastricht, com o euro e a união económica e social, os ricos enriquecem mais e os pobres empobrecem mais. E isso é verdade em França, na Grécia e na Holanda. E esta é, mais coisa menos coisa, a causa destes grandes movimentos sociais em todos os países da europeus.
PR: – Teve a crise económica algum impacte na sociedade grega, a taxa de desemprego, etc.?
BA: – Sim, particularmente no que respeita à insegurança quanto ao futuro. A Grécia teve nos últimos 5 ou 6 anos um crescimento bastante alto do Produto Interno Bruto, à volta de 4 por cento. Agora já está claro que no próximo ano será menos de 1 por cento. Em segundo lugar, tradicionalmente, nos temos tido uma elevada taxa de desemprego. E no futuro as coisas ainda vão ser piores, especialmente entre os jovens universitários. Cerca de 30 por cento dos que entram na universidade na Grécia estão desempregados, e isto conjugado e com o facto de termos a educação privatizada e as famílias estarem a pagar duas e três vezes mais pela educação dos seus filhos do que aquilo que paga o Estado, explica toda esta insegurança, que será muito mais forte, pois como consequência da crise económica e financeira muitas são as fábricas que estão a encerrar. E se viu o que sucedeu agora com a indústria automobilística nos Estados Unidos ou o que sucedeu na Europa com a Simens e algumas grandes empresas, pode compreender a ansiedade da juventude sobre o futuro.
PR: – Perspectiva qualquer coisa parecida com o que foi o movimento de Maio de 68?
BA: – Não, não acredito. As coisas são completamente diferentes. Quero dizer, há muitos aspectos diferentes. O mais importante é que o Maio de 68 foi um movimento optimista. Agora o grande problema para as novas gerações da Europa, e esta é a explicação da violência que estamos a viver na Grécia, em Itália, em Espanha e noutras partes, é o facto de que estão seguros de que a sua vida será muito pior que a dos seus pais, e isso é o que faz com que as pessoas estejam tão desesperadas. E claro, a diferença está em que agora nem sequer os sindicatos são um apoio para a luta da juventude, porque ajudaram a implementar as políticas governamentais nos países europeus, por isso os jovens procuram novas formas de organização. E o último elemento que nos parece muito importante é que todo aquele que desafia o sistema, que questiona o capitalismo e procura novos caminhos é etiquetado como terrorista, como criminoso. Este é o resultado de uma imensa campanha anticomunista, que a Europa está a enfrentar nesta etapa e que faz com que as coisas sejam muito diferentes do que eram em 68.
PR: – Numa situação tão explosiva como essa, e tendo em conta que há um grende número de trabalhadores imigrantes na Europa, como crê que se pode evitar uma onda de racismo e de fascismo, que é o recurso do capitalismo quando está desesperado?
BA: – Tem razão. Existem essa intenção de lançar a culpa de todos os problemas sobre os imigrantes, etc. Mas o interessante, e em última análise essa é uma lição da história em Atenas, é que neste movimento e nesta luta que estamos a viver, ninguém questionou os imigrantes, apesar de termos um número muito elevado de trabalhadores estrangeiros: nos últimos dez anos chegaram mais de um milhão de trabalhadores estrangeiros, o que representa 10 por cento da população da Grécia. E existem forças racistas e fascistas, mas nesta crise ninguém usou este argumento. Na Grécia, a tarefa que temos assumido no Partido Comunista foi a de organizar os imigrantes nos sindicatos. É um caminho muito difícil, mas temos alcançado alguns êxitos, e pensamos que é a única solução para evitar esse perigo de que fala. Porque a verdade é que o imperialismo dos Estados Unidos, da Europa e em geral o grande capital tentam dividir a classe trabalhadora, numa classe nacional que é boa, e os imigrantes que são muito maus e, nessa base, estão a tentar criar um movimento fascista e chauvinista. A resposta é lutar por políticas de legalização dos imigrantes; em segundo lugar estamos a lutar contra a política da União Europeia, que é muito hipócrita porque, por um lado, a União Europeia impõe condições a terceiros países, e por outro os europeus não aceitam a imigração. Nós estamos contra isso. E o terceiro elemento é o que estava a dizer: organizar os imigrantes juntamente com os trabalhadores gregos para lhes dar a possibilidade de lutarem juntos.
PR: – É possível que esta crise social e económica derive numa crise política? Hoje lemos que o Primeiro-Ministro Caramanlis pediu desculpas pelos casos de corrupção que aconteceram desde que assumiu o governo em 2004.
BA: – Parabéns! Estão muito bem informados sobre o que se está a acontecer na Grécia. Em todo o caso, devem saber que o problema para os gregos é que nem sequer os social-democratas são uma alternativa e por isso não há muito apoio à exigência de George Papandreu, o líder social-democrata, de exigir novas eleições. Em todo o caso, esta situação foi um duro golpe para o governo, há sondagens de opinião que o demonstram. Por outro lado devemos ser realistas. Esta forma como o governo está a gerir a crise, de pintar uma grande ameaça para o país, pode levar algumas pessoas para posições mais conservadoras, como aconteceu no Verão de há dois anos, quando tivemos aqueles grandes incêndios e todos pensavam que o governo perderia a maioria, dado que a direita não resolveu o problema; tivemos eleições e voltou a ganhar o partido da direita, de modo que é muito cedo para tirar conclusões sobre se o governo de direita vai perder a maioria ou não.
PR: – Olhando os resultados das últimas eleições parlamentares, em 2007, vemos que o Paryido Comunista Grego obteve mais de 8 por cento da votação, o que é muito para um partido comunista só. Vê a possibilidade de chegar a um ponto de ruptura do bipartidarismo na Grécia?
BA: – O bipartidarismo chegou ao fim, isso é uma realidade. Os votos que têm os dois partidos maioritários, o da direita e os social-democratas, não chegam para governar a Grécia, A questão é como assegurar que um movimento anti-imperialista e anticapitalista forte assegure que quando houver eleições esses votos não regressem aos dois grandes partidos. Para nós, não se trata apenas de romper com o sistema bipartidário, porque se der uma vista de olhos pela Europa, verá que todos os partidos tradicionais, neoliberais, conservadores e social-democratas, estão a perder influência nas pessoas, e por isso temos uma tão baixa percentagem de pessoas a votar, etc. Essa não é a questão. O problema é como construímos uma grande maioria a favor de mudanças radicais, anticapitalistas, que vão numa direcção popular. Anti-imperialista, como é o caso da Venezuela, por exemplo, porque somente com essas políticas pensamos que se podem resolver os problemas colocados pela juventude e pela classe trabalhadora. Quero dizer que sem questionar a União Europeia e as grandes empresas capitalistas, nenhuma das questões se pode resolver e esta situação continuará. A questão é como ter uma situação política na Grécia e na Europa que esteja em condições de impor essas mudanças, por isso lutamos como Partido Comunista, não apenas para as eleições: para nós é muito mais importante o que sucede com o movimento operário, a juventude e os trabalhadores.
PR: – Imaginemos que amanhã o Partido Comunista ganha uma eleições e chega ao poder. O que mudará na situação? Qual seria programa de um governo comunista na Grécia?
BA: – Já levamos muito tempo de luta e sempre dissemos às pessoas que para solucionar os problemas necessitamos de uma economia que assente numa base social. Uma economia que tenha determinados objectivos e prioridades como a educação, a saúde progresso social, etc.. Mas para poder ter uma economia como essa, precisamos de socializar os meios de produção. Se não tocarmos na grande propriedade monopolista, nada será possível. Esta uma das primeiras medidas que tomaremos quando chegarmos ao poder e, naturalmente, para que o Partido Comunista chegará ao poder como resultado de um imenso movimento social, não somente através de umas eleições. Para nós está muito claro. Porque lutamos por uma socialização dos principais meios de produção e pelo controlo popular dos mesmos, para poder com o financiamento necessário para lançar o programa social que o povo e o país necessitam. Estamos certos, é claro, que enfrentaremos um grande ataque da União Europeia e do imperialismo estadunidense, e o nosso povo deve estar preparado para isso. Daí pensarmos que necessitamos de novas formas de organização e de novas alianças políticas que nos permitam enfrentar uma situação semelhante,
PR: – Gostaríamos de lhe pedir, a partir da Grécia, que passa por ser o berço da democracia, uma reflexão sobre qual a qualidade democrática que vive a Venezuela, e uma opinião sobre o processo de integração regional e a proposta de moeda única, tendo em conta a experiência da Europa.
BA: – Antes de mais, quero dizer que cabe ao povo venezuelano decidir o que é melhor para o seu país, mas posso dizer-lhe desde já que o grau de democracia na Venezuela é muito mais elevado que na Grécia capitalista. E, acredite-me, é assim porque o grau de democracia não é uma questão de quantos partidos há. A questão principal é se o nível de vida da maioria melhora ou piora, esse é o critério final. E para falar da Grécia antiga e do país onde nasceu a democracia, era exactamente esse o critério para julgar qualquer governo na Grécia antiga, se a maioria vivia melhor ou pior, nada mais. No que diz respeito à Grécia, tivemos a monarquia e juntas militares e república presidencial. A diferença é ual é o sistema político e até que ponto a classe trabalhadora e a juventude podem realmente participar na tomada das decisões que afectam as suas vidas. Nós estamos seguros de que as forças socialistas e de progresso da Venezuela encontrarão a melhor solução para continuar, e digo-lho abertamente, o processo da revolução bolivariana, que é muito importante, não só para a América Latina, também é muito importante aqui na Europa, e se as coisas estão avançando um pouco aqui é também graças ao facto de da experiência venezuelana estar a inspirar muita gente aqui, apesar de também ter havido ilusões quanto ao facto de sem tocar o grande capital ser possível uma espécie de política venezuelana na Europa, ilusão que rebatemos.
No que respeita à integração são coisas completamente distintas, por saudamos o que acontece na América Latina no plano da integração regional. Porque no seu país, na sua região, a nossa impressão é que se trata de uma cooperação sobre bases igualitárias, em que todos os países têm as mesmas obrigações e os mesmos direitos, e esse não é o caso da chamada «integração europeia». Aqui na Europa temos dois ou três grandes países que ditam as condições a todos os outros, e considera-se isso normal. Porque esta é uma integração ditada pelos interesses do grande capital e das grandes empresas monopolistas. E claro, maiores empresas monopolistas estão nos países maiores, e essa constitui a grande diferença entre o processo de integração europeu e o que está a ocorrer na América Latina. Em segundo lugar, nós esperamos que a integração latino-americana sirva as necessidades sociais. Na Europa, esta integração só beneficia o grande capital, e o seu resultado está agora a ver-se na Grécia e noutros países europeus.
Fonte: www.radiomundial.com.ve
Arquivado em: Enecos
Alô! Alô! Demoramos um pouco, mas chegamos. Este é o primeiro Informe Cobrecos, um canal de diálogo da Comissão Organizadora (vulgo C.O.) do XVI Cobrecos com aqueles que pretendem vir a Salvador entre 11 a 18 de janeiro de 2009. Mas peraí, você nunca ouviu falar no Cobrecos? Então vamos a uma explicação rápida:
COngresso
BRasileiro dos
Estudantes de
COmunicação
Social
Poizé. No mês de janeiro, a capital baiana será sede da 16ª edição do Congresso Brasileiro dos/as Estudantes de Comunicação Social, ou simplesmente COBRECOS para os/as íntimos/as. Este é um fórum deliberativo, anual, que direciona as ações da ENECOS (Executiva Nacional dos/as Estudantes de Comunicação Social) para o ano. Maiores informes, consulte o site da ENECOS: www.enecos.org.br
Agora, para os/as curiosos/as de plantão, vamos oferecer maiores informações sobre o Congresso:
1. Sede
O Cobrecos 2009 terá como sede a Universidade Católica do Salvador (UCSAL), Campus Federação. O espaço utilizado já possui estrutura física que contempla as necessidades do encontro: salas para alojamento, atividades, banheiros, chuveiros, cantinas e auditório. E ainda com direito a ar condicionado para quem está preocupado com o clima local. Abaixo, algumas fotos de nossa sede!
2. Inscrições
Nesse congresso não conseguimos nenhum grande apoio (e nem pequeno), e nosso orçamento de alimentação está acima do que planejamentos inicialmente. Assim, fomos obrigados a reajustar os valores que havíamos divulgado inicialmente. Assim, as inscrições serão fechadas a partir dos seguintes valores:
|
Inscrição |
50 |
|
Inscrição + alojamento |
70 |
|
Inscrição + alimentação |
90 |
|
Inscrição + alojamento + alimentação |
110 |
A ficha de inscrição está disponível no nosso blog!
3. Programação
A programação do Congresso está bastante diversificada, contemplando, especialmente, três momentos: um primeiro de troca de experiências e formação; o segundo formulativo, para encaminhamento de propostas; e, o terceiro, de planejamento. Tudo isso tendo em vista a melhoria da organização do movimento estudantil de comunicação. Abaixo, segue a proposta final da grade produzida pela C.O. local. No nosso blog, você poderá conferir maiores detalhes sobre a mesma.
|
|
11/01 (domingo) |
12/01 (segunda-feira) |
13/01 (terça-feira) |
14/01 (quarta-feira) |
15/01 (quinta-feira) |
16/01 (sexta-feira) |
17/01 (sábado) |
18/01 (domingo) |
|
7h às 8:30h |
|
Café |
Café |
Café |
Café |
Café |
Café |
Café |
|
8:30 às 12h |
Credenciamento |
Vivência |
Mesas de Formação: opressões/ cultura/ sociedade |
Painel (teses)/ GD’s Teses/ Avaliação Mecom |
Livre |
Plenária Posicionamentos |
Plenária Ações |
Plenária Planejamento (Nacional) |
|
12h às 13:30h |
Almoço |
Almoço |
Almoço |
Almoço |
Almoço |
Almoço |
Almoço |
Almoço |
|
13:45h às 15h45 |
Apresentação do encontro/
Aprovação regimento/
Mística (histórico da Enecos) |
Vivência |
Mesas de Formação: Juventude |
GDT’s (Cultura e Opressões) |
Livre |
Plenária Posicionamentos |
Plenaria Ações |
Planejamento GET’s |
|
16h às 18h |
Planejamento Regional |
|||||||
|
18h às 19:15h |
Jantar |
Jantar |
Jantar |
Jantar |
Jantar |
Jantar |
Jantar |
Jantar |
|
19h:30 às 22h |
Painel Sociedade |
Socialização |
Mesas de Formação: Educação/ democom/ sociedade |
GDT’s (educação e democom) |
Plenária Posicionamentos |
Get’s (ações) |
Plenária CEN
|
Mística de Encerramento/ Cultural |
4. Eleição delegados
Você pode participar do Cobrecos de duas formas: como observador e como delegado. Apenas os/as delegados/as podem votar nas plenárias que decidirão os rumos da Enecos para o ano. Mas os observadores também não deixam de participar das discussões, podendo encaminhar e defender propostas. Para quem já está de férias, não dá mais pra tirar delegados. Entretanto, pra quem tem o calendário louco, ainda há chances. Veja também em nosso blog o regimento completo de tiragem de delegados para o XVI Cobrecos.
Confira maiores informações em nosso blog: www.cobrecos2009.ning.com
Até o próximo informe!