Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüílamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda.
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem (se
a sorte me abandonar, estou perdido).
E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te pois tens o quê!”
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios
A PUC e outros Movimentos
Tendo em vista que a PUC-SP não pode ser excluída dos problemas que existem em toda a sociedade (embora muitos membros da REItoria acreditarem viver num fantástico mundo a parte), é fundamental que o CentroAcadêmico Benevides Paixão participe ativamente de espaços que possam agregar reflexão sobre a necessidade de transformação da sociedade eseja solidário com militantes de outras frentes de atuação.
Sabemos que o controle dos meios de comunicação é concentrado em grandes monopólios, seja no Brasil ou no mundo. Estão ligados a famílias e empresas que representam o poderio econômico, filtrando o que deve ser transmitido, criminalizando osmovimentos sociais, homogeneizando a cultura para poder garantir lucro fácil e ajudando na manutenção do status quo, além de precarizar a categoria e tirar postos de trabalho dos futuros comunicadores.
Os espaços de discussão de democratização da comunicação são fundamentais para lutar por uma sociedade onde exista pluralidade cultural e não exista a divisão entre classes sociais.
Aqui na PUC-SP, com mensalidades bem acima do salário médio da população, centenas de estudantes têm dificuldades de pagar as altas mensalidades e muitos acabam saindo de seus cursos. O Centro Acadêmico não pode ser omisso nessa situação, tem que se posicionar, intervir e ser agente ativo na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade para todos.
Nos últimos anos, vemos governos que se diziam “comprometidos com os trabalhadores”, mas que foram financiados por banqueiros e empreiteiros.
Esses governos se submetem aos interesses destes banqueiros e empreiteiros, retirando direitos básicos dos trabalhadores em favor das grandes empresas. A reforma sindical, trabalhista e previdenciária, se vitoriosas, precarizarão cada vez mais as relações de trabalho existentes. É tão comum que os comunicadores sejam empregados por contratos irregulares de trabalho, sem nenhum direito trabalhista. Com essas reformas, essa condição que já é imposta aos nossos colegas atingirá todos os trabalhadores.
Não se isolando dos problemas externos a universidade, o Centro Acadêmico Benevides Paixão deve se posicionar contra qualquer retirada de direitos dos trabalhadores que beneficiem apenas uma pequena elite dominante. Devemos estar junto com os movimentos sociais e sindicais que estão comprometidos com a defesa desses direitos, assim como movimentos de luta por moradia e por terra para todos, como o MTST e o MST.
O Centro Acadêmico
O Centro Acadêmico é a entidade que representa os estudantes de um curso ou faculdade. Sua gestão é eleita para defender os direitos e interesses dos estudantes dentro da instituição, como a boa qualidade do ensino, a redução das mensalidades, uma organização mais democrática por parte da universidade, a melhora na assistência estudantil, entre outros.
O CA Benevides Paixão, mais conhecido como Benê, abrange os cursos de Jornalismo, Multimeios e Artes do Corpo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente, se mantém com a verba oriunda do aluguel do Xérox, que fica na sala ao lado do CA, no Corredor Cardoso. Com estes recursos, o Benê promove debates, oficinas, assembléias, encontros, palestras, atividades culturais, festas, além de cuidar do espaço físico.
Qualquer estudante destes cursos pode participar das reuniões, com voz e direito de voto abertos e iguais, e ajudar na construção de uma PUC melhor e mais democrática, da qual todos nos orgulhemos!
Conjuntura da PUC
A PUC-SP vive hoje um momento sem precedentes na sua história. A crise financeira pela qual a universidade passa tem sido usada como desculpa para realização de várias medidas, como por exemplo, a precarização das relações de trabalho, através das demissões em massa de professores em 2006 – com critérios até hoje obscuros – pela maximização dos salários dos professores, pela terceirização de diversos serviços na PUC (como segurança e limpeza, que antes eram feitas por funcionários da própria Universidade), etc.
A democracia interna, marca essencial da PUC, tem sido constantemente atropelada: Tropa de Choque na Universidade para resolver problemas internos, aprovação de um redesenho institucional que alterou toda a estrutura da Universidade, sem a menor participação da comunidade, a portas fechadas e com policia no COGEAE, no campus Sorocaba e no Campus Barueri, pouquíssimas bolsas de estudos, proibição de festas e atividades artísticas dentro da Universidade.
A reitoria ao invés de voltar para a comunidade para resolver os problemas financeiros resolveu se encastelar, se isolar do conjunto da universidade e criar um projeto próprio sem o respaldo da comunidade.
O fim de todo esse processo ocorreu no segundo semestre de 2008 quando o novo Estatuto (fruto de um acordo entre a burocracia do CONSUN e da Fundação São Paulo) foi aprovado. Esse novo Estatuto prevê entre outras coisas a criação do CONSAD (Conselho de Administração) que será formado por no mínimo dois secretários da fundação, pelo reitor, um pró-reitor acadêmico, o pró-reitor de planejamento desenvolvimento e gestão, o pró-reitor de cultura e relações comunitárias. O órgão será a partir da posse do novo reitor (quando o novo estatuto entrará em vigor) a instância máxima de deliberação da PUC-SP, acabando assim com qualquer pingo de democracia que tínhamos nessa Universidade. O novo estatuto prevê também que as eleições para os diretores de faculdade e os chefes de departamento apenas indicará uma lista tríplice, método no qual o nome dos três candidatos mais votados é encaminhado a reitoria que escolhe qual será o novo diretor ou coordenador.
Infra-Estrutura
A infra-estrutura é a base na qual o acadêmico se desenvolve. É necessário que existam salas de boa qualidade, biblioteca vasta com títulos de diversos autores e laboratórios de informática com os softwares livres necessários principalmente aos cursos de comunicação (Artes do Corpo, Jornalismo e Multimeios).
A ENECOS
A ENECOS (Executiva Nacional d@s Estudantes de Comunicação Social) representa tod@s @s estudantes de Comunicação Social do Brasil filiados nos Centros/ Diretórios Acadêmicos, e serve para organizar as lutas e bandeiras de todos os cursos de comunicação do Brasil. As principais bandeiras da Executiva são: luta pela democratização da comunicação, pela qualidade de formação do comunicador e oposição a todo tipo de opressão.
O centro acadêmico Benevides Paixão é um dos filiados da ENECOS, e pauta suas ações e tarefas pelas resoluções tiradas na executiva, ajudando no movimento nacional de Comunicação.
A gestão da Executiva é formada tanto nacionalmente como regionalmente (uma regional é composta de um ou mais estados, dependendo da quantidade de escolas de comunicação filiadas que existem no estado). Nós do Estado de São Paulo fazemos parte da Regional Sudeste 1. As gestões são eleitas através de eleições nas escolas de comunicação filiadas e duram um semestre.
Nos últimos dois anos a gestão nacional não conseguiu ser eleita por uma série de problemas, como falta de quorum ou boicote da comissão eleitoral. As eleições para o primeiro semestre de 2009 já foram realizadas e provavelmente teremos tanto uma coordenação nacional quanto uma regional eleitas. Por isso a nossa chapa pretende continuar ajudando na construção da ENECOS e tomando como base de luta suas bandeiras e resoluções, sempre mantendo o Centro Acadêmico Benevides Paixão filiado.
Propostas
· Total independência do CA
· Estimular a participação dos estudantes de comunicação em seus encontros estudantis e fóruns de executivas de curso
· Colaborar na construção das semanas de jornalismo, multimeios e artes do corpo,. de acordo com nossas possibilidades e limitações
· Tentar integrar sempre o maior numero de estudantes nos problemas da universidade através de um boletim quinzenal
· Divulgação mensal dos gastos do CA
· Resolver as pendências da xerox
· Realizar a semana de arte modesta
· Estabelecer canal de diálogo direto com as coordenações dos cursos representados, levando as demandas mais urgentes de cada um
· Pressionar a nova reitoria para o retorno dos laboratórios à comfil
· Atuar de forma constante no movimento geral da puc, defendendo os interesses dos cursos de comunicação, ligando-os às demandas gerais da universidade
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