Carta Programa

Gestão À Ousadia Pertence o Futuro

“Aos que ousam o futuro pertence. Quando perdemos nossos sonhos, nós morremos…”
Emma Goldman

Concepção de C.A. e Movimento Estudantil

Nós, componentes da gestão “À ousadia pertence o futuro”, entendemos que tod@s @s estudantes devem ter voz nas discussões acerca da construção de um centro acadêmico. São muitas as questões debatidas num CA: desde a qualidade do ensino e sua acessibilidade à classe mais explorada, até o combate às opressões dentro e fora da universidade.

Dessa forma, acreditamos que o Centro Acadêmico tem uma utilidade muito maior do que apenas servir como espaço de convivência entre os estudantes: é também lugar de construção política, debate de ideias e de conscientização. Para isso, existe a necessidade da criação de um programa mínimo que será seguido ao longo de toda a gestão.

Quanto a gestão preza, sobretudo, pela horizontalidade. Ou seja, não há divisão hierárquica de cargos. Todos têm o mesmo poder para expressar suas opiniões. Mas diferente de tantos outros centros acadêmicos, a relação de horizontalidade, e em especial, o caráter aberto de todas as reuniões, vem atrelados diretamente à concepção e crença de que todos  estudantes devam construir, em conjunto a luta diariamente, retirando o centro acadêmico do “lugar comum”, tão reproduzido na sociedade, onde neste caso, estudante se torna cliente e, gestão, prestadora de serviços. Somos tod@s militantes, gestão eleita ou não!

Enquanto militantes, nós, @s ousad@s, fazemos o convite: que se aproximem tod@s, e em conjunto vamos construir tijolo por tijolo, pé após pé, um espaço de luta, de resistência às forças hegemônicas do capitalismo. Vamos pensar em outra comunicação, em outra educação, outra sociedade. De mãos dadas, faremos mobilizações. Poderemos nos chamar então, Movimento Estudantil.

Como assim?
O modelo elitista de educação instituído pelo atual governo brasileiro torna inacessível o ensino superior de qualidade à grande maioria da população. Assim, entendemos que o Movimento Estudantil deve ser construído com base em atuações concretas, promovendo a luta pelo ensino gratuito e de qualidade também fora da universidade.

No Chile, país que sofreu com a elitização de toda a rede de ensino, a revolta da juventude não só mobilizou estudantes universitários e secundaristas, como também provocou um levante em todo o país, com a população fazendo coro contra o modelo neo-liberal de educação. Com o fim da gratuidade no ensino público, toda uma nação reconheceu a necessidade de unir-se à luta dos estudantes.

Os estudantes brasileiros, por sua vez, também não estão parados. Reféns da mesma lógica educacional mercantilista,universitários de todo o Brasil têm manifestado sua indignação com o atual sistema de ensino. Enxergando tal sistema como fruto de um modelo de sociedade que prioriza o bem-estar de poucos, estes estudantes engrossaram ao longo do ano diversas mobilizações em todo o país: contra o aumento da passagem do transporte público, contra a construção de Belo Monte, na Marcha da Maconha, entre outros.

É por entender que @ estudante deve ter controle sobre o papel que desempenha no sistema em que vive que convidamos tod@s a participar da construção deste espaço, vendo-o como base para a transformação não só da universidade, mas de toda a sociedade.

Organização do Centro Acadêmico

Horizontal, aberta e participativa. Esse é o tipo de organização que defendemos para o Centro Acadêmico; em linhas gerais, isso quer dizer que a participação, a exposição de idéias e opiniões é livre para qualquer um, e que não há como ninguém ser mais importante que os demais, durante a construção das pautas nas reuniões da gestão.

Para isso acontecer, contudo, deve-se salientar que toda e qualquer decisão só pode acontecer depois de uma questão ser amplamente discutida, e aí se chegar a um consenso. Votação, hierarquias, cargos e deliberações verticais são heranças da política contemporânea –que coloca a política como representação e não atuação, algo que abominamos. Não representamos ninguém, mas defendemos a participação irrestrita de tod@s.

Por outro lado, não se pode perder de vista que, havendo uma horizontalidade, nada exclui um jogo de forças, posições e contradições. Vontades de potência e visões diferentes de mundo se cruzam muitas vezes nos debates. O que é positivo, porque amplia o horizonte de atuação do Centro Acadêmico, permite agregar ainda mais visões ao que fazemos e fortalece também um espaço rico de discussões várias.

Conjuntura da PUC-SP

É quase em estado catatônico que se encontra a PUC-SP hoje. Daquele passado de glória, hoje transformado em slogan de marketing para vender cursos –o tal ‘orgulho de ser PUC’– pouco ainda resta. Não que estejamos diante do fim da história, e a mediocridade, o elitismo, a igreja e a delinqüência acadêmica venceram definitivamente. Muito pelo contrário. Se à ousadia pertence a futuro, precisamos compreender o que está se passando na Universidade para minimante subverter essa situação.

Primeiro, é preciso pontuar uma dívida na casa das centenas de milhões de reais, a qual ninguém sabe exatamente de onde veio –o que inclui a Reitoria e a própria mantenedora da Universidade, a Fundação São Paulo–, e que virou escusa para um aumento abusivo e constante das mensalidades bem como para a redução do número de bolsas estudantis, por um lado; e, por outro, desculpa para o achatamento dos salários e maximização do trabalho dos professores, terceirização dos funcionários e a  conseqüente precarização da qualidade do ensino.

Nenhuma tentativa de auditória dessa dívida caminhou, e a comunidade universitária pouco sabe, de fato, sobre como se deu historicamente esse acúmulo. Parte do estado atual da PUC também está ligada ao projeto do redesenho institucional, imposto à Universidade em 2007, pela então reitora Maura Veras – a mesma que convocou a PM, naquele ano, para retirar os estudantes que ocuparam a reitoria. Além disso, é bom lembrar que, por ser ligada diretamente ao papa da Igreja Católica, na medida em que esta instituição foi se tornando ainda mais conservadora nos últimos anos, mais a PUC teve a autonomia e a liberdade interna suprimidas.

No que nos cabe, depois, devemos reconhecer um recuo por parte da atuação política dos professores e dos funcionários da PUC e também do próprio movimento estudantil puquiano, que, por sua vez, esteve muito preso a picuinhas internas e pouco ligado à construção de uma pauta de luta única e contínua, como a redução das mensalidades -por exemplo-, na Universidade. Mas é justamente agora, portanto, quando tudo parece anestesiado, que o momento de agir e ousar se torna ainda mais preciso. Vamos: à ousadia pertence o futuro.

Combate às opressões

As opressões fazem parte da manutenção do sistema capitalista, fragmentando a população, e na universidade isso não é diferente. A resistência ao preconceito e à discriminação entre universitários é necessária e é um dos primeiros passos para construir uma sociedade igualitária, sendo esta uma das principais pautas da Enecos.

O machismo se reproduz diariamente no ambiente universitário, desde momentos pontuais como o trote até os jogos universitários. Oprimindo e humilhando calour@s, os estudantes agem como se, por serem mais velh@s na universidade, fossem superiores. Em 2011 foi criado o Coletivo Feminista 3 Rosas, que atua em conjunto com a Frente Feminista da PUC e no movimento feminista para além da universidade, e procura combater atitudes que, de tão enraizadas na sociedade, passam despercebidas. Lugar de mulher é na luta!

Aliada ao machismo, a homofobia também é facilmente percebida na universidade, principalmente nas músicas ufanistas onde se mostra que “quem não se encaixa nos padrões é viado”. Não precisa ir muito longe para percebermos como muitas vezes essa violência não é apenas psicológica, e sim física, e tais atitudes são aprovadas por diversos estudantes na PUC, e é preciso urgente desnaturalizar tal comportamento.

O desconhecimento da sociedade com a realidade dos portadores de deficiências é reflexo da exclusão destas pessoas dos espaços sociais. Neste contexto, é possível constatar que a parcela dos portadores presente nas universidades é mínima.
Nossas escolas e universidades não estão preparadas para receber as pessoas especiais, tornando a educação precária. A inclusão faz-se necessária, mas para isso, é imprescindível que estejamos prontos a recebê-los com educação de qualidade. Um portador de deficiência física não consegue locomover-se nem mesmo dentro das universidades. Um deficiente visual não conseguirá realizar nenhuma atividade proposta.

O combate à desigualdade passa pelo reconhecimento das diferenças e pelo processo de impedir que estas diferenças se traduzam em desigualdades. Diversidade não é sinônimo de adversidade.

Educação no Brasil e na PUC-SP

No Brasil, 14 milhões de pessoas são analfabetas, alem dos 29,5 milhões de analfabetos funcionais. A educação de base continua extremamente precarizada, sem condições de possibilitar à juventude qualquer perspectiva de futuro. Segundo dados do Inep divulgados semana passada, 6,3 milhões de jovens tem acesso ao ensino superior (pouco mais de 10%), dos quais a ampla maioria freqüenta universidades privadas – 1.099, das 2.377 instituições superiores ativas no país.

Somado a isso, visualiza-se uma evidente ausência de projeto a médio e longo prazo de educação. Qual a cara do educador, do educando e da educação no Brasil daqui a 20 anos?

Com a aplicação de menos de 5% do PIB – cuja crescente foi tão propagandeada nos últimos anos – na educação, majoritariamente no setor privado, os Governos incentivam e financiam a privatização e precarização de um direito humano fundamental, e um dever do Estado.

Aqui na PUC-SP, através da maximização do contrato dos professores, da terceirização do quadro de funcionários e do aumento sistemático das mensalidades, entre outros, vivenciamos esta precarização na prática. Nós, da Faficla, fomos deslocados e fatiados sem sequer haver verba para reforma da Comfil, o que se evidencia pela demora no inicio das obras.

Lutamos pelo horizonte de construção de um modelo de educação pública, gratuita e de qualidade, que forme individual e coletivamente e plante autonomia e dignidade humanas.

Democratização da Comunicação

A comunicação é um processo de troca e acúmulo de conhecimentos e valores presentes na sociedade. Desde a declaração universal dos direitos humanos, em 1948, é reconhecida enquanto direito humano fundamental – não só ao acesso, como também à produção de comunicação. Dessa forma, o direito à produção de comunicação e aos meios para tal é inalienável do ser humano e, portanto, não deve ser preterido ou mesmo privatizado.

Entretanto, os sistemas de radiodifusão (meios de comunicação de massa, radio e televisão, sob concessão e tutela do Estado) e de telecomunicações são radicalmente monopolizados por conglomerados econômicos e oligarquias políticas e religiosas. Ao passo que veículos comunitários e alternativos ao modelo comercial dominante são criminalizados por ousarem construir um modelo popular de comunicação, comprometido com sua função social e com seu povo.

Assim, nos colocando enquanto sujeitos sociais e comunicativos, pretendemos travar debates, reflexões e ações baseados nesta concepção e nesse papel social de produzir contracultura e comunicação contra-hegemônica com o povo e para o povo.

Enecos

A Enecos – Executiva Nacional dos estudantes de Comunicação Social – é a entidade nacional do movimento estudantil de comunicação. É através dela que a estudantada de comunicação se articula, se organizando em coletivos, centros e diretórios acadêmicos, e atua com perspectiva nos seus principais eixos de luta – democratização da comunicação, qualidade de formação do comunicador e combate às opressões sociais. Em 2011, a Enecos completa 20 anos de existência, deixando sempre sua identidade de luta por onde atua, seja nos espaços do movimento estudantil, ou ainda com as demais organizações sociais.

Você pode se perguntar onde está a Enecos. Existe algum espaço físico para se conhecer melhor essa executiva?
A Enecos está, na verdade, em todos os grupos que fazem parte dela e a constróem. Todas as pautas pelas quais lutamos são parte dos eixos da executiva e é através deles que o Benê traz a Enecos para a PUC-SP há anos.

Este ano, a Enecos esteve presente nas principais mobilizações de rua pelo país: desde as manifestações em diversos estados pelo passe livre, como em São Paulo; passando pelas marchas da maconha, também a nível nacional; e chegando ao ato contra a construção da usina de Belo Monte ao lado do Movimento Xingu Vivo, em julho desse ano como parte de um de seus encontros, o Enecom Pará.

Esses encontros são, aliás, a melhor maneira de percebermos o que é a executiva: é neles que percebemos que um mesmo projeto de educação está por trás da cortina que cai em sua sala e da entrada da Globo em uma outra faculdade do outro lado do país.

Por entender o papel que cumpre a Enecos na organização dos movimentos socais da comunicação, do movimento estudantil nacional e das lutas em defesa de uma sociedade mais justa, menos opressora e desigual, é que nos propomos, enquanto Benevides Paixão, a continuar a articulação com as outras escolas de comunicação de São Paulo, do Sudeste e de todo o Brasil, na luta pela transformação social e pela construção de uma sociedade para os que virão.

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