Arquivo | Textos RSS feed for this section

Por um lado, João Zinclar assumiu outro ponto de vista

22 jan

É com tristeza que a gestão Rê Bordosa, do Centro Acadêmico Benevides Paixão, recebeu a notícia da morte do fotógrafo e jornalista João Zinclar, ocorrida no último sábado (19), em um acidente rodoviário. Lamentamos o fato que não representa somente a perda de um companheiro de lutas: lamentamos principalmente um vazio que existirá agora entre aqueles aos quais olhamos e buscamos inspiração, ao fazer escolhas e tomar posições.

Homenagem do cartunista Carlos Latuff a João Zinclar

Homenagem do cartunista Carlos Latuff a João Zinclar

“A liberdade do fotógrafo consiste em poder cobrir outros pontos de vista de um mesmo evento”, disse em sua última visita à PUC-SP, quando participou da semana acadêmica do curso de jornalismo, no ano de 2011. Coerente com o que disse, em toda a sua carreira profissional, João Zinclar buscou, de fato, encontrar este outro ponto de vista e também assumiu, de modo muito claro, um lado. Esteve junto daqueles que lutam pela transformação de sua realidade.

Não à toa, acumulou uma série de registros ao lado de comunidades tradicionais, camponeses, indígenas e trabalhadores. Como poucos, ele ajudou a fomentar e construir o imaginário da luta social no Brasil e, por outro lado, a anotar e denunciar, com os cliques de sua máquina fotográfica, a exploração na cidade e no campo, as mazelas e desigualdades sociais e muitas das injustiças que país adentro ainda persistem.

Registro de ato da Marcha Mundial das mulheres, em 2011 (foto: João Zinclar)

Registro de ato da Marcha Mundial das Mulheres, em 2011 (foto: João Zinclar)

Com a imagem dos retratos que deixou, tentaremos, enquanto estudantes, perseguir a mesma tomada de posição que marcou a carreira de João Zinclar. Sentiremos falta do companheiro. Mas, com orgulho, também podemos dizer que nem fosse um pouco com ele tivemos a chance de aprender algumas lições.

Universidade não é lugar de silêncio

28 out

por Coletivo Yabá*

Pontifícia Universidade Católica: quantos contos sobre a democracia tem o seu baú de memórias! Triste riqueza trancafiada. Hoje em dia, é feio ser democrático na PUC. Aliás, esse momento se demonstra preponderante na caça às bruxas de alguns estudantes da universidade. Essas bruxas são quem? Coletivos organizados, principalmente na Faculdade de Economia e Administração e na Faculdade de Direito.

Proclamam esses estudantes, nos últimos debates inseridos no calendário de campanha para as eleições dos Centros Acadêmicos Leão XIII e 22 de Agosto, a necessidade do combate ao machismo, à homofobia e ao racismo. Em troca, a platéia e a mesa preenchida pelos adversários políticos xingam, gritam, vaiam, urram, riem sarcasticamente. Palmas acaloradas para esses adversários, quando tentam desqualificar a luta desses corajosos coletivos! Continue lendo

Diretrizes Curriculares

23 mar

Diretrizes Curriculares

 A restruturação do mundo do trabalho, da educação e da indústria da comunicação social

Joana Vidal e Naiady Piva – ENECOS

1. Neoliberalismo e mudanças na educação brasileira.
Três aspectos são fundamentais ao se fazer uma análise do ensino de Comunicação Social: (i) as recentes mudanças na estruturação do trabalho, em nível mundial, conhecida como restruturação produtiva; (ii) os impactos da restruturação e do neoliberalismo nas políticas nacionais em nível mundial; e (iii) o papel da Comunicação Social e de seus profissionais no estágio atual do capitalismo. Para fazer uma análise da educação brasileira atual, em especial de suas políticas públicas, é importante a clareza de que esta foi pensada tendo como inspiração teórica as formulações da intelligentsia internacional do neoliberalismo. Um documento importante de ser lido e de fácil acesso são as Diretrizes do Banco Mundial para Educação em Países em Desenvolvimento. Nele fica claro que a educação deve ser pensada antes de tudo tendo em vista uma divisão internacional. Não há necessidade dos países “em desenvolvimento” se esforçarem para ter a produção de uma educação que possibilite desenvolver tecnologia de ponta, uma vez que os países desenvolvidos já possuem  conhecimento e estrutura para tal. Continue lendo

Ensino a Distância

23 mar

Ensino a Distância

ARTIGO DO PROF. ERSON MARTINS
PARA O LIVRO/ANDES/FORUM DAS 6 – ENSINO A DISTÂNCIA
12/novembro/2008


Educação a distância; a velha e a nova escola
Erson Martins de Oliveira

Ofensiva da educação a distância

O ensino a distância vem se expandindo aceleradamente na última década. O marco de seu crescimento é o ano de 1995. Num curto espaço de tempo, o número de estudantes dessa modalidade de ensino saltou de duzentos mil para 1.137.908, correspondentes a seis grandes instituições, sendo a maior delas a Fundação Roberto Marinho, que contava com 393.442 estudantes. Houve também um aumento do número de cursos, que se triplicou só nos quatro últimos anos. Nas modalidades de graduação e pós-graduação, o crescimento foi de quarenta e quatro vezes até o ano de 2003. Em 2000, havia dez cursos de graduação a distância; em 2004, esse número saltou para cento e seis. Havia 1.682 alunos matriculados; em 2004, este número passou para 89.539. Não havia, em 2000, curso de p ós-graduação lato sensu e seqüencial a distância; dois anos depois, foram criados cento e cinqüenta e três lato sensu; no ano seguinte, já se contavam duzentos e vinte e dois e, em 2004, a contagem destes cursos chegou a duzentos e cinqüenta e nove. Em relação ao número de matrículas, em 2000, eram quarenta e oito; em 2004, esse número foi para 61.637.
Esses dados permitem aos defensores do ensino a distância um prognóstico de que essa modalidade será preponderante no futuro. Continue lendo